{"id":1052,"date":"2023-04-12T20:57:50","date_gmt":"2023-04-12T20:57:50","guid":{"rendered":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/?p=1052"},"modified":"2023-04-12T20:57:50","modified_gmt":"2023-04-12T20:57:50","slug":"memoria-cientista-brasileiro-que-isolou-virus-da-dengue-orientava-olhar-aos-carentes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/2023\/04\/memoria-cientista-brasileiro-que-isolou-virus-da-dengue-orientava-olhar-aos-carentes\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3ria: Cientista brasileiro que isolou v\u00edrus da dengue orientava olhar aos carentes"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>A vista concentrada entre tubos de ensaio, bicos aquecedores, reagentes, l\u00e2minas, o comportamento das c\u00e9lulas&#8230; Olhos fixos no microsc\u00f3pio, o companheiro insepar\u00e1vel, da manh\u00e3 at\u00e9 de noite. O andar de um lado para outro, noites arregaladas sem dormir e a obsess\u00e3o por encontrar respostas para males que afligiam o pa\u00eds. Quem conheceu o virologista brasileiro Hermann Gon\u00e7alves Schatzmayr, que morreu, aos 74 anos de idade, em 21 de junho de 2010 (h\u00e1 exatamente uma d\u00e9cada, com fal\u00eancia m\u00faltipla dos \u00f3rg\u00e3os), reconhece o legado no combate incans\u00e1vel dele a doen\u00e7as como var\u00edola, poliomielite, febre amarela e dengue, em batalhas que ele desenvolvia nos laborat\u00f3rios <a href=\"https:\/\/portal.fiocruz.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz)<\/a>.<\/p>\n<p>Ele viveu a partir da segunda metade do s\u00e9culo 20 momentos como os de agora, em que a ci\u00eancia se v\u00ea desafiada por um v\u00edrus. Entre as heran\u00e7as deixadas pelo cientista est\u00e3o a dedica\u00e7\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o de novos profissionais. Mas ele n\u00e3o ensinava apenas com base no que estavam nos livros. O virologista fazia uma pergunta inusitada e recorrente aos novatos ou experientes pesquisadores: \u201cj\u00e1 olhou pela janela?\u201d.<\/p>\n<div class=\"dnd-atom-wrapper type-image context-sdl_editor_representation\" contenteditable=\"false\">\n<div class=\"dnd-drop-wrapper\"><!-- scald=627014:sdl_editor_representation --><\/p>\n<div class=\"image\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" typeof=\"foaf:Image\" src=\"https:\/\/memoria.ebc.com.br\/sites\/_portalebc2014\/files\/styles\/full_colunm\/public\/atoms_image\/hermann-_fiocruz_-_peter_ilicciev.jpg?itok=6HYTWSdT\" width=\"602\" height=\"475\" alt=\"Hermann - Fiocruz\" title=\"Hermann - Fiocruz\"><\/div>\n<p><!-- END scald=627014 --><\/div>\n<div class=\"dnd-legend-wrapper\" contenteditable=\"true\">\n<div class=\"meta\"><span class=\"legenda\">Foto:\u00a0<\/span>Peter Ilicciev \/ Fiocruz \/ Divulga\u00e7\u00e3o<!--END copyright=627014--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O \u201colhar pela janela\u201d era de algu\u00e9m que via longe. Ele queria, primeiro, saber se os colegas reconheciam, ao menos, a realidade de comunidades carentes no Rio de Janeiro pr\u00f3ximas ao local de trabalho. Em depoimento deixado um m\u00eas antes de morrer, Schatzmayr explicou a origem da pergunta. \u201cBasta que os pesquisadores olhem pela janela, se deparem com a car\u00eancia das comunidades que nos cercam para se certificarem do quanto nosso trabalho \u00e9 importante\u201d, escreveu. Para a bi\u00f3loga e cientista Monika Barth, a esposa, companheira da vida e da pesquisa por mais de quatro d\u00e9cadas, foi a dedica\u00e7\u00e3o e o olhar sens\u00edvel de Hermann diante do mundo, que o tornaram um dos principais nomes da ci\u00eancia do Brasil.<\/p>\n<div class=\"dnd-atom-wrapper type-image context-sdl_editor_representation\" contenteditable=\"false\">\n<div class=\"dnd-drop-wrapper\"><!-- scald=627011:sdl_editor_representation --><\/p>\n<div class=\"image\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" typeof=\"foaf:Image\" src=\"https:\/\/memoria.ebc.com.br\/sites\/_portalebc2014\/files\/styles\/full_colunm\/public\/atoms_image\/2009_hermann_e_monika.jpg?itok=j7sPPFaq\" width=\"349\" height=\"475\" alt=\"Hermann Gon\u00e7alves e Monika Barth\" title=\"Hermann Gon\u00e7alves e Monika Barth\"><\/div>\n<p><!-- END scald=627011 --><\/div>\n<div class=\"dnd-legend-wrapper\" contenteditable=\"true\">\n<div class=\"meta\"><span class=\"legenda\">Hermann Gon\u00e7alves e Monika Barth. Foto:\u00a0<\/span>Acervo da fam\u00edlia<!--END copyright=627011--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Ali\u00e1s, a sensibilidade \u00e9 uma das lembran\u00e7as mais fortes para a atual chefe do laborat\u00f3rio do Flavirus da Fiocruz, Ana Maria Bispo de Filippis. \u201cEle tinha uma frase que me marcou: &#8216;n\u00f3s temos certeza de que temos muito a fazer pela ci\u00eancia quando olhamos a situa\u00e7\u00e3o em que as pessoas vivem&#8217;. \u00c9 um est\u00edmulo para que a gente trabalhe bastante e tente encontrar solu\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>O laborat\u00f3rio que ela dirige, al\u00e9m da pesquisa, desenvolvimento e inova\u00e7\u00e3o, presta servi\u00e7os com diagn\u00f3sticos de diferentes tipos de v\u00edrus. Ana Maria Bispo cita que Hermann a estimulou, por exemplo, a buscar, no ano 2000, o desenvolvimento de diagn\u00f3stico preciso de dengue e febre amarela por exame de PCR. O exemplo do professor a inspirou outras vezes, conforme assegura, depois que ele morreu. \u201cFoi fundamental em toda a minha carreira pela forma como ele conduzia a pesquisa\u201d. A cientista liderou, por exemplo, a equipe que detectou, em 2015, a presen\u00e7a do zika no l\u00edquido amni\u00f3tico de gestantes.<\/p>\n<p>J\u00e1 a m\u00e9dica Rita Nogueira trabalhou com Hermann Schatzmayr por 35 anos. \u201cEle tinha interesse muito grande no aperfei\u00e7oamento profissional de sua equipe. Trata-se de uma pessoa muito respeitada no Brasil e no exterior. Ele era muito generoso em compartilhar o conhecimento dele. Um esp\u00edrito p\u00fablico elevado. O foco dele era combater essas doen\u00e7as que mais amea\u00e7avam os mais vulner\u00e1veis. Ele teve um papel preponderante no combate a essas doen\u00e7as, como a dengue\u201d, afirma a cientista, que tratou do tema no doutorado e tamb\u00e9m nas metodologias avan\u00e7adas de diagn\u00f3stico da doen\u00e7a.<\/p>\n<div class=\"dnd-atom-wrapper type-image context-sdl_editor_representation\" contenteditable=\"false\">\n<div class=\"dnd-drop-wrapper\"><!-- scald=627009:sdl_editor_representation --><\/p>\n<div class=\"image\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" typeof=\"foaf:Image\" src=\"https:\/\/memoria.ebc.com.br\/sites\/_portalebc2014\/files\/styles\/full_colunm\/public\/atoms_image\/2009_hermann_goncalves_schatzmayr.jpg?itok=fz0R1GuH\" width=\"547\" height=\"475\" alt=\"Hermann Goncalves Schatzmayr, em 2009\" title=\"Hermann Goncalves Schatzmayr, em 2009\"><\/div>\n<p><!-- END scald=627009 --><\/div>\n<div class=\"dnd-legend-wrapper\" contenteditable=\"true\">\n<div class=\"meta\"><span class=\"legenda\">Hermann Goncalves Schatzmayr. Foto:\u00a0<\/span>Arquivo da fam\u00edlia<!--END copyright=627009--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h3>Vision\u00e1rio da dengue<\/h3>\n<p>Foi, inclusive, na d\u00e9cada de 1980 que o cientista viu no horizonte o avan\u00e7o de um perigo mortal que chegaria ao Brasil: a dengue em pa\u00edses das Am\u00e9ricas Central e do Sul. \u201cEle anteviu a crise que a doen\u00e7a provocaria no pa\u00eds\u201d, testemunha Monika Barth. De fato, Schatzmayr alertou que a epidemia chegaria ao Brasil e, por isso, pediu que a pesquisadora Rita Nogueira, que tinha ent\u00e3o 38 anos de idade, fosse treinar e estudar o diagn\u00f3stico da doen\u00e7a em cursos na Venezuela, em mar\u00e7o de 1986, e em Porto Rico, no mesmo ano, antes que chegasse ao Brasil. \u201cEu tive contato, por influ\u00eancia dele, com os principais pesquisadores do mundo. Ele se antecipou e isso foi decisivo para que pud\u00e9ssemos responder \u00e0 crise. Antes do surto de dengue, ele me indicou para ir estudar a doen\u00e7a e trazer a experi\u00eancia. A doen\u00e7a disseminou-se no pa\u00eds ap\u00f3s entrar pelo Rio de Janeiro\u201d, diz Rita Nogueira. A cientista trouxe, ao final do curso, os monoclonais (os anticorpos), o que foi muito importante para a prepara\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade. \u201cQuando a doen\u00e7a chegou ao pa\u00eds seis meses depois, o laborat\u00f3rio estava preparado\u201d, disse Monika Barth.<\/p>\n<p>Em 1986, Hermann foi procurado pela prefeitura de Belford Roxo, no Rio de Janeiro por causa de relatos de pessoas com febre e manchas na pele. Tamb\u00e9m ocorreu em Nova Igua\u00e7u. Com as amostras, no dia 28 de abril daquele ano, o cientista, com a equipe, isolou pela primeira vez no Brasil o v\u00edrus tipo 1 de dengue. A epidemia batia \u00e0 porta. \u201cMais tarde, tamb\u00e9m fomos os primeiros a isolar os tipos 2 e 3 da v\u00edrus e nos tornamos centro de refer\u00eancia\u201d, escreveu o cientista.<\/p>\n<p>Rita Nogueira explica que o fato da equipe ter isolado o v\u00edrus impressionou pesquisadores em outros pa\u00edses que precisavam avan\u00e7ar no diagn\u00f3stico da doen\u00e7a. \u201cQuando voc\u00ea isola o v\u00edrus, identifica o agente etiol\u00f3gico. O v\u00edrus replica na cultura e aquilo se torna substrato importante para fazer an\u00e1lise molecular das amostras. Quando voc\u00ea isola, n\u00e3o tem d\u00favida de ligar um quadro cl\u00ednico com o agente que foi isolado\u201d, explica. No caso da dengue, ele desabafava com a esposa que ningu\u00e9m deveria morrer da doen\u00e7a porque era plenamente evit\u00e1vel.<\/p>\n<div class=\"dnd-atom-wrapper type-image context-sdl_editor_representation\" contenteditable=\"false\">\n<div class=\"dnd-drop-wrapper\"><!-- scald=627018:sdl_editor_representation --><\/p>\n<div class=\"image\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" typeof=\"foaf:Image\" src=\"https:\/\/memoria.ebc.com.br\/sites\/_portalebc2014\/files\/styles\/full_colunm\/public\/atoms_image\/ritanogueira.jpg?itok=7xOWYspp\" width=\"665\" height=\"475\" alt=\"Rita Nogueira e Hermann trabalharam juntos contra a dengue\" title=\"Rita Nogueira e Hermann trabalharam juntos contra a dengue\"><\/div>\n<p><!-- END scald=627018 --><\/div>\n<div class=\"dnd-legend-wrapper\" contenteditable=\"true\">\n<div class=\"meta\"><span class=\"legenda\">Rita Nogueira e Hermann isolaram o v\u00edrus da degue na d\u00e9cada de 1980. Foto: Jorge Carvalho\/Fiocruz<\/span><\/p>\n<p class=\"credito\">\u00a0<\/p>\n<p><!--END copyright=627018--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-atom-wrapper type-image context-sdl_editor_representation\" contenteditable=\"false\">\n<div class=\"dnd-drop-wrapper\"><!-- scald=627019:sdl_editor_representation --><\/p>\n<div class=\"image\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" typeof=\"foaf:Image\" src=\"https:\/\/memoria.ebc.com.br\/sites\/_portalebc2014\/files\/styles\/full_colunm\/public\/atoms_image\/p1010678.jpg?itok=wRpnMF3h\" width=\"633\" height=\"475\" alt=\"Hermann Gon\u00e7alves e Rita Nogueira trabalharam juntos no combate \u00e0 dengue\" title=\"Hermann Gon\u00e7alves e Rita Nogueira trabalharam juntos no combate \u00e0 dengue\"><\/div>\n<p><!-- END scald=627019 --><\/div>\n<div class=\"dnd-legend-wrapper\" contenteditable=\"true\">\n<div class=\"meta\"><span class=\"legenda\">Hermann Gon\u00e7alves e Rita Nogueira trabalharam juntos no combate \u00e0 dengue.\u00a0<\/span>Acervo pessoal da cientista<!--END copyright=627019--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h3>Dedica\u00e7\u00e3o ao pa\u00eds<\/h3>\n<p>Ana Maria Bispo diz que Hermann foi um exemplo, um guru e orientador do mestrado e doutorado da cientista. \u201cEu cheguei como estudante e fui recebida por ele no departamento de virologia. Ele incentivava muito os jovens a fazer cursos. Depois, quando fui contratada, fui trabalhar com ele nos estudos da poliomielite\u201d. A cientista testemunha que ele era um vision\u00e1rio e angustiado diante dos problemas que surgiam. \u201cDepois que a gente eliminou polio no pa\u00eds e na regi\u00e3o das Am\u00e9ricas, fui trabalhar em laborat\u00f3rios em pa\u00edses que precisavam de apoio nosso, como a \u00cdndia\u201d. Ana Maria atuou por cinco anos nos Estados Unidos na Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana de Sa\u00fade (Opas).<\/p>\n<p>Convicto de que deveria ajudar o pa\u00eds em que nasceu, principalmente os mais necessitados, Hermann Schatzmayr recusou todas as propostas para trabalhar em definitivo no exterior, segundo lembra a esposa e colega pesquisadora, Monika Barth, em uma uni\u00e3o de 45 anos. Enquanto ele tinha o sobrenome de origem austr\u00edaca, da fam\u00edlia do pai, ela nasceu na Alemanha e veio para o Brasil com os pais aos 10 anos de idade. \u201cTivemos v\u00e1rias oportunidades de trabalho. Mas sempre quisemos ficar no Brasil. Sab\u00edamos que ser\u00edamos mais importantes aqui\u201d. O casal se conheceu em 1962 no Instituto Oswaldo Cruz.<\/p>\n<div class=\"dnd-atom-wrapper type-image context-sdl_editor_representation\" contenteditable=\"false\">\n<div class=\"dnd-drop-wrapper\"><!-- scald=627013:sdl_editor_representation --><\/p>\n<div class=\"image\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" typeof=\"foaf:Image\" src=\"https:\/\/memoria.ebc.com.br\/sites\/_portalebc2014\/files\/styles\/full_colunm\/public\/atoms_image\/hermann_-_fiocruz_-_acervo_pessoal.jpg?itok=BDFuOac0\" width=\"559\" height=\"475\" alt=\"Hermann Schatzmayr -Fiocruz\" title=\"Hermann Schatzmayr -Fiocruz\"><\/div>\n<p><!-- END scald=627013 --><\/div>\n<div class=\"dnd-legend-wrapper\" contenteditable=\"true\">\n<div class=\"meta\"><span class=\"legenda\">Hermann Schatzmayr na Fiocruz. Foto:\u00a0<\/span>Acervo da fam\u00edlia<!--END copyright=627013--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Eles eram bolsistas e sonhavam iniciar carreiras de pesquisadores. Ela.trabalhava na \u00e1rea de bot\u00e2nica e ele, na virologia. Foi assim que ela o acompanhou nos primeiros tubos de ensaio. \u201cEle foi um dos principais fundadores da virologia no Brasil\u201d. Ela recorda que at\u00e9 chegar ao objetivo, foi um longo caminho. Hermann era de fam\u00edlia pobre e, mesmo com o desejo de cursar medicina, fez veterin\u00e1ria na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Nos quatro anos, ficou em alojamento. Foi nessa \u00e9poca que se interessou por estudar microbiologia e virologia. \u201cEstudei amostras de uma grande epidemia de influenza que houve no Rio entre 1957 e 1958 e tamb\u00e9m trabalhei com febre amarela\u201d, recordou Hermann em carta. Era o aluno de destaque das turmas. \u201cNo final do curso, ele tinha um carro velho e depois foi estudar na \u00c1ustria por um ano com pouco dinheiro\u201d, destaca a esposa.<\/p>\n<div class=\"dnd-atom-wrapper type-image context-sdl_editor_representation\" contenteditable=\"false\">\n<div class=\"dnd-drop-wrapper\"><!-- scald=627015:sdl_editor_representation --><\/p>\n<div class=\"image\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" typeof=\"foaf:Image\" src=\"https:\/\/memoria.ebc.com.br\/sites\/_portalebc2014\/files\/styles\/full_colunm\/public\/atoms_image\/fotodepoimento_hermann_dentro.jpg?itok=fXpvLA91\" width=\"633\" height=\"475\" alt=\"Hermann nos tempos de faculdade\" title=\"Hermann nos tempos de faculdade\"><\/div>\n<p><!-- END scald=627015 --><\/div>\n<div class=\"dnd-legend-wrapper\" contenteditable=\"true\">\n<div class=\"meta\"><span class=\"legenda\">Hermann nos tempos de faculdade no Rio de Janeiro. Foto:\u00a0<\/span>Acervo da fam\u00edlia<!--END copyright=627015--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Ele conseguiu uma bolsa no Instituto de Higiene da Universidade de Viena. Ficou na casa de uma tia e ganhava US$ 80 por m\u00eas. Enquanto economizava dinheiro para sobreviver, enriquecia-se com a experi\u00eancia. Quando voltou ao Brasil, foi trabalhar no Instituto Oswaldo Cruz em um laborat\u00f3rio para estudar a poliomielite, inclusive isolar o v\u00edrus, para estudar os surtos e a resposta \u00e0 vacina Sabin, que come\u00e7ou a ser usada. A equipe cuidava da dilui\u00e7\u00e3o e da distribui\u00e7\u00e3o da vacina para todo o pa\u00eds em uma \u00e9poca em que o produto s\u00f3 tinha validade de uma semana. Por isso, o tempo era fundamental para que n\u00e3o se perdessem as doses. \u201cEle fazia o controle da vacina, que era importada. Era muito trabalhoso. Depois ele buscou saber onde estava o poliov\u00edrus e fazia exames no esgoto e na \u00e1gua na Ba\u00eda de Guanabara. Ele dizia que a gente precisava saber o percurso para poder se defender\u201d, testemunha a esposa.<\/p>\n<p>A luta contra a poliomielite foi, segundo Monika Barth, o primeiro grande alvo profissional dele. Ap\u00f3s o doutorado na Alemanha, trabalhou na produ\u00e7\u00e3o da vacina contra var\u00edola e assumiu um laborat\u00f3rio para estudar a doen\u00e7a. Na sequ\u00eancia, ainda na d\u00e9cada de 1960, assumiu a coordena\u00e7\u00e3o de virologia do instituto, cargo em que ficou por mais 30 anos. Assim, criou os primeiros laborat\u00f3rios de p\u00f3lio, hepatite e rub\u00e9ola no Rio de Janeiro.<\/p>\n<h3>\u201cEra a vida dele\u201d<\/h3>\n<p>O trabalho fez com que Hermann se tornasse, por dois anos (a partir de 1990) presidente da Fiocruz. Depois dessa experi\u00eancia, voltou para o laborat\u00f3rio estudar outros v\u00edrus. Era o lugar que mais gostava de ficar. E nunca deixou de trabalhar, produzir, escrever&#8230; \u201cEle sempre pensava mais nas pessoas mais necessitadas. A cabe\u00e7a dele n\u00e3o parava 24 horas. Era a vida dele. Quando ele estava angustiado, n\u00e3o conseguia dormir. Ele era muito preocupado com as pessoas\u201d, diz a companheira.. Para ela, o cientista tinha um padr\u00e3o de trabalho e tem certeza de que , se estivesse vivo, estaria na linha de frente no combate ao coronav\u00edrus. \u201cEle estaria falando para tentar identificar as transforma\u00e7\u00f5es do v\u00edrus, os diferentes comportamentos\u201d. Al\u00e9m da esposa, Hermann deixou dois filhos, Rainer, que \u00e9 engenheiro civil, Betina, bi\u00f3loga, e cinco netos.<\/p>\n<div class=\"dnd-atom-wrapper type-image context-sdl_editor_representation\" contenteditable=\"false\">\n<div class=\"dnd-drop-wrapper\"><!-- scald=627016:sdl_editor_representation --><\/p>\n<div class=\"image\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" typeof=\"foaf:Image\" src=\"https:\/\/memoria.ebc.com.br\/sites\/_portalebc2014\/files\/styles\/full_colunm\/public\/atoms_image\/2009_hermann_e_monika-rio_reno-alemanha.jpg?itok=q9tTiWxi\" width=\"317\" height=\"475\" alt=\"2009_hermann_e_monika-rio_reno-alemanha.jpg\" title=\"2009_hermann_e_monika-rio_reno-alemanha.jpg\"><\/div>\n<p><!-- END scald=627016 --><\/div>\n<div class=\"dnd-legend-wrapper\" contenteditable=\"true\">\n<div class=\"meta\"><span class=\"legenda\">Hermann e Monika, companheiros na vida e no trabalho. Foto:\u00a0<\/span>Acervo da fam\u00edlia<!--END copyright=627016--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Para Rita Nogueira, o virologista deixou um exemplo fundamental para as futuras gera\u00e7\u00f5es de pesquisadores: a dedica\u00e7\u00e3o, perseveran\u00e7a e a obsess\u00e3o por responder perguntas, sanar mist\u00e9rios. \u201cMuitas vezes, ele chegava \u00e0s 7h da manh\u00e3 e sa\u00eda \u00e0s 22h\u201d. Foi, para a ex-aluna, uma impressionante hist\u00f3ria de amor \u00e0 ci\u00eancia. Tanto \u00e9 assim que a Fiocruz realiza, a cada dois anos, <a href=\"http:\/\/www.fiocruz.br\/ioc\/cgi\/cgilua.exe\/sys\/start.htm?infoid=3294&amp;query=simple&amp;search%5Fby%5Fauthorname=all&amp;search%5Fby%5Ffield=tax&amp;search%5Fby%5Fkeywords=any&amp;search%5Fby%5Fpriority=all&amp;search%5Fby%5Fsection=all&amp;search%5Fby%5Fstate=all&amp;search%5Ftext%5Foptions=all&amp;sid=32&amp;site=fio&amp;text=Simp%F3sio+Hermann\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um evento que revela jovens cientistas<\/a> e suas pesquisas, e que \u00e9 batizado com o nome de Hermann Schatzmayr para homenagear o extenso legado dele.\u00a0Uma d\u00e9cada ap\u00f3s \u00e0 morte do pesquisador, cientistas que o conheceram garantem que o exemplo de 50 anos de carreira dele \u00e9 inspira\u00e7\u00e3o permanente. Tanto para o movimento dos laborat\u00f3rios como para as janelas abertas para a realidade que os cercam.<\/p>\n<div class=\"dnd-atom-wrapper type-image context-sdl_editor_representation\" contenteditable=\"false\">\n<div class=\"dnd-drop-wrapper\"><!-- scald=627012:sdl_editor_representation --><\/p>\n<div class=\"image\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" typeof=\"foaf:Image\" src=\"https:\/\/memoria.ebc.com.br\/sites\/_portalebc2014\/files\/styles\/full_colunm\/public\/atoms_image\/hermann-schatzmayr.jpg?itok=cDhvlKPQ\" width=\"381\" height=\"475\" alt=\"Hermann Schatzmayr\" title=\"Hermann Schatzmayr\"><\/div>\n<p><!-- END scald=627012 --><\/div>\n<div class=\"dnd-legend-wrapper\" contenteditable=\"true\">\n<div class=\"meta\"><span class=\"legenda\">Hermann Schatzmayr nunca parou de trabalhar.\u00a0 Foto:\u00a0<\/span>Fiocruz\/Divulga\u00e7\u00e3o<!--END copyright=627012--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/www.fiocruz.br\/ioc\/media\/Livro_Virologia_nova_edicao.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leia livro sobre a trajet\u00f3ria da virologia no Rio de Janeiro, de autoria do cientista<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.fiocruz.br\/sites\/agencia.fiocruz.br\/files\/revistaManguinhos\/RevistadeManguinhos22.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leia revista de Manguinhos que trata mais sobre a vida de Hermann Schatzmayr<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vista concentrada entre tubos de ensaio, bicos aquecedores, reagentes, l\u00e2minas, o comportamento das c\u00e9lulas&#8230; Olhos fixos no microsc\u00f3pio, o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":""},"categories":[4],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"colormag-highlighted-post":false,"colormag-featured-post-medium":false,"colormag-featured-post-small":false,"colormag-featured-image":false},"uagb_author_info":{"display_name":"Redator","author_link":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/author\/admin\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A vista concentrada entre tubos de ensaio, bicos aquecedores, reagentes, l\u00e2minas, o comportamento das c\u00e9lulas&#8230; Olhos fixos no microsc\u00f3pio, o","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1052"}],"collection":[{"href":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1052"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1052\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1052"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1052"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1052"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}