{"id":1168,"date":"2023-04-18T09:01:00","date_gmt":"2023-04-18T09:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/?p=1168"},"modified":"2023-04-18T10:29:14","modified_gmt":"2023-04-18T10:29:14","slug":"desinformacao-permanente-impacta-de-politicas-publicas-a-saude-mental","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/2023\/04\/desinformacao-permanente-impacta-de-politicas-publicas-a-saude-mental\/","title":{"rendered":"Desinforma\u00e7\u00e3o permanente impacta de pol\u00edticas p\u00fablicas \u00e0 sa\u00fade mental"},"content":{"rendered":"<div>\n<p style=\"text-align: center;\"><a class=\"\" href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/saude\/noticia\/2023-04\/desinformacao-permanente-impacta-de-politicas-publicas-saude-mental\">\u00a0<\/a><\/p>\n<p>No dia 27 de fevereiro, uma ampla mobiliza\u00e7\u00e3o nacional foi lan\u00e7ada para recuperar as coberturas vacinais, que est\u00e3o em queda desde 2015. Os esfor\u00e7os para que a popula\u00e7\u00e3o busque a imuniza\u00e7\u00e3o inclu\u00edram o fato de o pr\u00f3prio presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva ter recebido a vacina bivalente contra a covid-19 diante das c\u00e2meras. Por\u00e9m, enquanto governo e ve\u00edculos de imprensa destacavam a necessidade de aumentar a prote\u00e7\u00e3o contra as doen\u00e7as imunopreven\u00edveis, esfor\u00e7o contr\u00e1rio era empreendido nas plataformas digitais, com a divulga\u00e7\u00e3o de mentiras, conte\u00fados descontextualizados e teorias da conspira\u00e7\u00e3o que associavam de forma fraudulenta as vacinas at\u00e9 mesmo ao exterm\u00ednio da popula\u00e7\u00e3o mundial.\u00a0<img decoding=\"async\" style=\"width: 1px; height: 1px; display: inline;\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1522978&amp;o=rss\" \/><img decoding=\"async\" style=\"width: 1px; height: 1px; display: inline;\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1522978&amp;o=rss\" \/><\/p>\n<p>Esse movimento negacionista foi destrinchado em um relat\u00f3rio do Laborat\u00f3rio de Estudos de Internet e M\u00eddias Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NetLab\/UFRJ). Os pesquisadores mostram que houve um pico de conte\u00fado antivacinista nas plataformas digitais no dia em que Movimento Nacional pela Vacina\u00e7\u00e3o foi lan\u00e7ado. Somente no Twitter, foram catalogadas mais de 50 mil publica\u00e7\u00f5es desse teor.<\/p>\n<h3>Not\u00edcias relacionadas:<\/h3>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2023-04\/ministro-reforca-papel-de-agencias-de-checagem-contra-fake-news\">Ministro refor\u00e7a papel de ag\u00eancias de checagem contra fake news.<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/politica\/noticia\/2023-03\/relator-diz-que--pl-das-fake-news-pode-ser-votado-ainda-neste-semestre\">Relator diz que PL das Fake News pode ser votado ainda neste semestre.<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/justica\/noticia\/2023-04\/agu-abre-consulta-publica-sobre-atuacao-de-orgao-contra-desinformacao\">AGU abre consulta p\u00fablica sobre atua\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3o contra desinforma\u00e7\u00e3o.<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>Entre 26 de fevereiro e 21 de mar\u00e7o, mais de 320 mil tu\u00edtes, 20 mil publica\u00e7\u00f5es no Facebook e 6 mil no Instagram com conte\u00fado antivacinista foram identificados pelo laborat\u00f3rio, que tamb\u00e9m registrou milhares de mensagens em grupos monitorados no WhatsApp e no Telegram e mais de 200 v\u00eddeos no TikTok. Enquanto pesquisadores, comunicadores e autoridades empenhavam-se em convencer a popula\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a e efic\u00e1cia das vacinas, essas mensagens bombardeavam usu\u00e1rios de redes sociais com o oposto.<\/p>\n<p>O NetLab conseguiu mapear um grupo de 36 mil perfis no Twitter que retuitaram mais de 100 mil publica\u00e7\u00f5es com conte\u00fado antivacina ap\u00f3s o lan\u00e7amento do Movimento Nacional pela Vacina\u00e7\u00e3o. Retuitar significa encaminhar para os seguidores publica\u00e7\u00e3o de outro perfil. Tal articula\u00e7\u00e3o acabou sendo mais intensa que a dos 41 mil perfis que fizeram 79 mil retu\u00edtes a favor da vacina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>A\u00e7\u00e3o criminosa<\/h2>\n<p>O movimento negacionista n\u00e3o passou despercebido pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. A ministra N\u00edsia Trindade reconheceu que h\u00e1 uma campanha antivacinista buscando minar os esfor\u00e7os da sociedade para elevar a cobertura vacinal. &#8220;Temos enfrentado uma forte campanha, desde 27 de fevereiro, de <em>fake news<\/em> [not\u00edcias falsas] envolvendo a vacina bivalente. Isso \u00e9 extremamente s\u00e9rio, e eu tenho destacado que n\u00e3o se trata de desinforma\u00e7\u00e3o, se trata de a\u00e7\u00e3o criminosa\u201d, declarou a ministra.<\/p>\n<p>Coordenadora de pesquisa do NetLab, a cientista da informa\u00e7\u00e3o D\u00e9bora Salles explica que, em diversos momentos, a pauta pol\u00edtica do pa\u00eds \u00e9 um gatilho para campanhas de desinforma\u00e7\u00e3o, e o movimento pela vacina\u00e7\u00e3o foi um epis\u00f3dio emblem\u00e1tico. &#8220;Quando o presidente Lula se vacina, a extrema direita ativa uma campanha muito intensa em que v\u00e1rias narrativas s\u00e3o acionadas em diferentes plataformas, tentando trazer d\u00favidas sobre o qu\u00e3o seguras as vacinas s\u00e3o&#8221;, afirma. &#8220;Percebe-se que campanha se aproveita de um evento, mas as narrativas j\u00e1 circulavam antes e se intensificaram para criar um pico de discuss\u00e3o e trazer a aten\u00e7\u00e3o para aquela pauta, disputando a narrativa com a campanha oficial&#8221;, diz D\u00e9bora.<\/p>\n<h2>Desinforma\u00e7\u00e3o permanente<\/h2>\n<p>Segundo a pesquisadora, os conte\u00fados que j\u00e1 estavam prontos e apenas foram intensificados fazem parte de um fluxo permanente de desinforma\u00e7\u00e3o que circula nas plataformas digitais do Brasil e do mundo h\u00e1 anos, provocando desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a institui\u00e7\u00f5es, deturpa\u00e7\u00f5es no debate p\u00fablico, amplifica\u00e7\u00e3o de discurso de \u00f3dio e radicaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. D\u00e9bora define a desinforma\u00e7\u00e3o como uma campanha sistem\u00e1tica cujo objetivo \u00e9 produzir desconfian\u00e7a nas pessoas e diz que o fluxo constante de mensagens deforma o debate p\u00fablico no longo prazo.<\/p>\n<p>&#8220;Muita propaganda e muita informa\u00e7\u00e3o problem\u00e1tica passam por informa\u00e7\u00e3o neutra, org\u00e2nica e verdadeira, e isso vai alterando a percep\u00e7\u00e3o das pessoas e a qualidade do debate p\u00fablico. E, quando se perde qualidade no debate p\u00fablico, isso leva a mudan\u00e7as nas pol\u00edticas p\u00fablicas. Com o tempo, inclusive m\u00e9dicos passam a duvidar de evid\u00eancias cient\u00edficas\u201d, enfatiza.<\/p>\n<p>De acordo com D\u00e9bora, esse caldeir\u00e3o de desinforma\u00e7\u00e3o depende de um n\u00facleo que direciona campanhas, produz conte\u00fado e orquestra rea\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m precisa de capilaridade para ser disseminado. \u201cA desinforma\u00e7\u00e3o bem-sucedida se aproveita de uma infraestrutura que vimos surgir no Brasil com a extrema direita, que foi montando uma estrutura que \u00e9 tanto centralizada e organizada quanto capilarizada, e consegue chegar a v\u00e1rias pessoas de diferentes nichos e de diferentes formas&#8221;, afirma a pesquisadora.<\/p>\n<p>Ela afirma que a extrema direita \u00e9 a corrente pol\u00edtica que mais aposta na desinforma\u00e7\u00e3o. \u201cNossos dados mostram que as campanhas de desinforma\u00e7\u00e3o de outras posi\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas s\u00e3o exce\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 importante refor\u00e7ar que, se n\u00e3o se atualizarem as regras do jogo, a tend\u00eancia \u00e9 que todas as vertentes queiram aproveitar essas estrat\u00e9gias de manipula\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>O que a pesquisadora chama de infraestrutura \u00e9 uma rede de perfis que atua em diversas plataformas de forma coordenada, republicando, comentando e participando de transmiss\u00f5es ao vivo, programas, <em>podcasts<\/em>, e tamb\u00e9m em portais e canais do YouTube, al\u00e9m de aplicativos de mensagens. Essa coordena\u00e7\u00e3o, inclusive, reduz a efic\u00e1cia de derrubar publica\u00e7\u00f5es em uma plataforma espec\u00edfica, porque um tu\u00edte, por exemplo, pode ser <em>printado (<\/em>impresso, copiado) e continuar circulando no Instagram ou no Telegram, mesmo depois de o original ser apagado. \u201cA infraestrutura \u00e9 uma atua\u00e7\u00e3o multiplataforma lucrativa e autossuficiente, que se retroalimenta e se republica. Nenhuma narrativa emplaca com um ou dois influenciadores em s\u00f3 uma rede social.&#8221;<\/p>\n<p>A coordenadora do NetLab relata que o monitoramento de tal infraestrutura \u00e9 um trabalho cada vez mais desafiador porque as plataformas digitais t\u00eam reduzido o acesso dos pesquisadores aos dados. \u00c9 um desafio que ocorre na vertente pol\u00edtica, com a defesa de uma regulamenta\u00e7\u00e3o que garanta acesso aos dados, e tamb\u00e9m na vertente metodol\u00f3gica, porque \u00e9 preciso construir formas de pesquisar o que est\u00e1 dispon\u00edvel neste momento.<br \/>\n\u201cO primeiro passo \u00e9 ter mais transpar\u00eancia para diagnosticar o problema e pensar em pol\u00edticas p\u00fablicas e regulamenta\u00e7\u00e3o baseada em evid\u00eancias. Atualmente os dados s\u00e3o escassos e incompletos. Cada empresa decide o que quer disponibilizar, e isso coloca a sociedade \u00e0 merc\u00ea dos interesses corporativos dessas plataformas\u201d.<\/p>\n<h2>Poluir o debate<\/h2>\n<p>Al\u00e9m da constru\u00e7\u00e3o de narrativas falsas, a desinforma\u00e7\u00e3o serve para desviar o foco do debate p\u00fablico e ocupar os espa\u00e7os de discuss\u00e3o, ressalta o professor Victor Piaia, da Escola de Comunica\u00e7\u00e3o, M\u00eddia e Informa\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas.<\/p>\n<p>\u201cHoje, as f<em>ake news <\/em>fazem parte do repert\u00f3rio pol\u00edtico das redes sociais. No fundo, atores pol\u00edticos e militantes usam not\u00edcias que n\u00e3o s\u00e3o verdadeiras tanto para atingir algu\u00e9m ou criar uma imagem, como para poluir o debate. Esse uso n\u00e3o necessariamente tem o objetivo de convencer, mas de evitar que outros assuntos sejam mais relevantes.\u201d<\/p>\n<p>O soci\u00f3logo lembra o curioso caso da not\u00edcia falsa da elei\u00e7\u00e3o de 2018 segundo a qual haveria distribui\u00e7\u00e3o de mamadeiras er\u00f3ticas para crian\u00e7as. Ele explica que as<em> fake news<\/em> mais inveross\u00edmeis se inserem em um contexto maior de bombardeio sobre um tema e contribuem mais para a cria\u00e7\u00e3o de uma vis\u00e3o de mundo do que para o convencimento pontual sobre esses casos espec\u00edficos.<\/p>\n<p>\u201cEsse \u00e9 o caso mais lembrado de<em> fake news<\/em> sem p\u00e9, nem cabe\u00e7a, mas que foi capaz de gerar um dano enorme. Existiam, naquela \u00e9poca, muitas publica\u00e7\u00f5es relacionadas a uma suposta sexualiza\u00e7\u00e3o infantil. As pessoas que estavam nesses grupos recebiam sem parar conte\u00fados que acusavam artistas e pensavam no ambiente escolar como depravado moralmente. A mamadeira pode ser um exemplo esdr\u00faxulo, mas, quando se percebe que a pessoa, a todo momento, \u00e9 tocada por esses conte\u00fados, ela pode n\u00e3o acreditar na mamadeira, mas isso n\u00e3o significa que n\u00e3o acredite no todo. A gente foca muito em um caso que pode ser esdr\u00faxulo, mas a quest\u00e3o \u00e9 a vis\u00e3o de mundo que est\u00e1 sendo constru\u00edda cotidianamente.\u201d<\/p>\n<p>Entre as plataformas digitais usadas para disseminar desinforma\u00e7\u00e3o, o WhatsApp destaca-se por ser a mais usada pelos brasileiros, diz o professor. Al\u00e9m disso, Piaia explica que a vida cotidiana das pessoas incorporou o uso dessa plataforma e, quando o conte\u00fado falso chega ao usu\u00e1rio, chega muitas vezes por meio de contatos pessoais e at\u00e9 familiares, aproveitando-se de redes de confian\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 um espa\u00e7o p\u00fablico, \u00e9 um espa\u00e7o privado de informa\u00e7\u00e3o. O conte\u00fado chega por meio de um parente, um conhecido, um amigo, algu\u00e9m que voc\u00ea tem em grande estima. Essa informa\u00e7\u00e3o tem uma capacidade grande de envolver as pessoas, seja para acreditar ou discordar\u201d, detalha o pesquisador.<\/p>\n<p>Diante dessa relev\u00e2ncia, pesquisadores pensam estrat\u00e9gias para captar os movimentos na plataforma, mas o acesso \u00e9 dif\u00edcil por se tratar de aplicativo de mensagens privadas. O m\u00e1ximo que \u00e9 poss\u00edvel para o monitoramento \u00e9 se inscrever em grupos p\u00fablicos e linhas de transmiss\u00e3o que s\u00e3o usadas para desinformar, diz Piaia.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o importa em quantos grupos voc\u00ea entre. Voc\u00ea pode entrar em 5 mil grupos ou em 40 mil grupos, e ainda n\u00e3o vai saber o que isso representa no todo. A gente tem falta de informa\u00e7\u00e3o e clareza do total desse universo de mensagens, porque a plataforma n\u00e3o informa isso. A gente entende que \u00e9 relevante \u2013 h\u00e1 todos os sinais de que \u00e9 relevante \u2013 e consegue construir este quebra-cabe\u00e7as, mas \u00e9 dif\u00edcil ter certeza e medir com precis\u00e3o o que acontece ali dentro, at\u00e9 para pensar medidas que combatam o problema.\u201d<\/p>\n<p>Apesar de todas as plataformas adotarem estrat\u00e9gias para diminuir o alcance da desinforma\u00e7\u00e3o, o soci\u00f3logo considera que as a\u00e7\u00f5es ainda s\u00e3o insuficientes diante dos impactos sociais causados pelas <em>fake news <\/em>que circulam dentro delas. \u201cSe pesquisadores independentes n\u00e3o podem acessar e tentar entender aquele ecossistema e aquele universo para buscar problemas e solu\u00e7\u00f5es, ficamos ref\u00e9ns de uma avalia\u00e7\u00e3o interna das plataformas. Quando se observa uma plataforma fechando dados para pesquisa, ela est\u00e1, de certa forma, contribuindo para a manuten\u00e7\u00e3o de todos esses problemas.\u201d<\/p>\n<h2>Lucro e afeto<\/h2>\n<p>O professor de literatura comparada da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Jo\u00e3o Cezar de Castro Rocha\u00a0cita o escritor Guimar\u00e3es Rosa para explicar por que ainda \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil encontrar uma solu\u00e7\u00e3o para enfrentar a desinforma\u00e7\u00e3o: \u201cEstamos no meio do redemoinho\u201d. Assim como os meios digitais de pagamento e transa\u00e7\u00f5es financeiras mudaram a economia e exigiram regula\u00e7\u00e3o e moderniza\u00e7\u00e3o dos diversos \u00f3rg\u00e3os de controle, Jo\u00e3o Cezar argumenta que as plataformas digitais mudaram de forma irrevers\u00edvel e profunda o debate pol\u00edtico e as formas de intera\u00e7\u00e3o social, s\u00f3 que sem ser acompanhadas de regula\u00e7\u00f5es capazes de garantir limites.<\/p>\n<p>O pesquisador monitora as redes e discute os efeitos discursivos e sociais desse fluxo permanente de desinforma\u00e7\u00e3o. Jo\u00e3o Cezar\u00a0v\u00ea como caminho central a desmonetiza\u00e7\u00e3o desse conte\u00fado por parte das plataformas, mas considera imposs\u00edvel cessar completamente essa torrente, que \u00e9 lucrativa.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos come\u00e7ar a compreender que<em> fake news<\/em> \u00e9 uma ind\u00fastria. \u00c9 produ\u00e7\u00e3o em massa e \u00e9 fonte de monetiza\u00e7\u00e3o. Para as plataformas, conte\u00fado radicalizador, agressivo e virulento vende mais que conte\u00fado did\u00e1tico ou sereno\u201d, critica o professor. Ele destaca que produtores de <em>fake news<\/em> enriquecem e empreendem apostando na desinforma\u00e7\u00e3o. \u201c<em>Fake news<\/em> n\u00e3o \u00e9 apenas ideologia, \u00e9 uma forma de empreendedorismo. As <em>fake news<\/em> t\u00eam o aspecto ideol\u00f3gico, o impacto pol\u00edtico, a produ\u00e7\u00e3o do \u00f3dio, a exclus\u00e3o do outro. Tudo isso est\u00e1 na ess\u00eancia das <em>fake news<\/em>. Mas um ponto negligenciado \u00e9 que as <em>fake news<\/em> s\u00e3o uma f\u00e1brica de dinheiro, porque aumentam o engajamento, as visualiza\u00e7\u00f5es, os likes, e isso se reverte em monetiza\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>O pesquisador tamb\u00e9m defende a necessidade de deixar de encarar as <em>fake news<\/em> apenas como simples mentiras e explica que um elemento muito caracter\u00edstico desse discurso \u00e9 partir de um dado verdadeiro para construir um argumento falso. Esse dado muitas vezes \u00e9 superdimensionado, pin\u00e7ado de uma situa\u00e7\u00e3o excepcional e tomado como universal, transformando-se em um risco iminente em toda parte.<\/p>\n<p>Exemplos dessa estrat\u00e9gia s\u00e3o os eventos adversos graves da vacina\u00e7\u00e3o, registrados em propor\u00e7\u00f5es rar\u00edssimas, por\u00e9m explorados pelos antivacinistas. O Centro de Controle de Doen\u00e7as dos Estados Unidos, por exemplo, observou apenas 11 casos de miocardite entre as mais de 8 milh\u00f5es de doses da vacina da Pfizer aplicadas em crian\u00e7as com idade entre 5 e 11 anos, no in\u00edcio da vacina\u00e7\u00e3o contra a covid-19 nessa faixa et\u00e1ria. Nenhuma dessas crian\u00e7as morreu e todas se recuperaram. Mesmo assim, a miocardite \u00e9 frequentemente citada como um perigo da vacina em mensagens antivacinistas, que ignoram que a pr\u00f3pria covid-19 causa o mesmo problema de sa\u00fade com uma frequ\u00eancia 16 vezes maior.<\/p>\n<p>\u201cUma not\u00edcia falsa n\u00e3o \u00e9 uma mentira, \u00e9 uma m\u00e1quina narrativa cuja finalidade \u00e9 produzir um afeto\u201d, afirma Jo\u00e3o Cezar. \u201c\u00c9 uma produ\u00e7\u00e3o de afeto com a ret\u00f3rica do \u00f3dio, para a monetiza\u00e7\u00e3o do medo. A extrema direita monetiza o p\u00e2nico que ela mesma produz. Cria a demanda e oferece o produto. \u00c9 um modelo de neg\u00f3cio perfeito\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de afeto e o fluxo permanente de desinforma\u00e7\u00e3o, com o passar dos anos, constru\u00edram o que o pesquisador chama de disson\u00e2ncia cognitiva coletiva &#8212; nome complexo que descreve um comportamento que muitos brasileiros testemunham em suas rela\u00e7\u00f5es pessoais. Refugiando-se em conte\u00fados extremistas nas plataformas digitais, os consumidores fi\u00e9is de <em>fake news <\/em>t\u00eam suas cren\u00e7as refor\u00e7adas a todo momento e ficam cada vez mais refrat\u00e1rios ao contradit\u00f3rio e a fatos que invalidam suas ideias. O efeito disso \u00e9 o compartilhamento de uma realidade paralela, completamente interpretada com a lente da desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA disson\u00e2ncia cognitiva \u00e9 pr\u00f3pria da condi\u00e7\u00e3o humana. N\u00f3s evitamos informa\u00e7\u00f5es que contrariam nossas cren\u00e7as e procuramos informa\u00e7\u00f5es que refor\u00e7am. Mas, com a revolu\u00e7\u00e3o digital, a disson\u00e2ncia cognitiva n\u00e3o \u00e9 mais individual. O que est\u00e1 acontecendo \u00e9 mais grave. Essa disjun\u00e7\u00e3o que leva a uma realidade paralela deixou de ser de foro \u00edntimo, porque hoje voc\u00ea est\u00e1 compartilhando aquela cren\u00e7a com milh\u00f5es de pessoas. Hoje, no mundo inteiro, centenas de milh\u00f5es de pessoas acreditam que um cons\u00f3rcio das farmac\u00eauticas se reuniu para produzir o coronav\u00edrus, vender m\u00e1scara e vacina\u201d, alerta o pesquisador.<\/p>\n<p>Essa cren\u00e7a coletiva se d\u00e1 por meio de uma \u201cdieta\u201d rigorosa de <em>fake news<\/em>, explica Jo\u00e3o Cezar, j\u00e1 que a tecnologia hoje permite estar conectado 24 horas por dia, recebendo conte\u00fado de diversos grupos em diferentes plataformas.<\/p>\n<p>\u201cEu tenho casos coletados de pessoas que participam de 15 grupos desse tipo no WhatsApp. Isso \u00e9 uma dieta rigorosa de desinforma\u00e7\u00e3o. Isso produz o del\u00edrio que vimos no Brasil. Em nenhum outro lugar do mundo a disson\u00e2ncia cognitiva levou at\u00e9 40 mil pessoas durante dois meses para as portas de quart\u00e9is\u201d.<\/p>\n<h2>Adoecimento<\/h2>\n<p>O consumo em massa de desinforma\u00e7\u00e3o tem ocasionado tamb\u00e9m danos nas rela\u00e7\u00f5es pessoais e at\u00e9 na sa\u00fade mental de quem recebe esses conte\u00fados &#8212; e na de quem est\u00e1 em volta. Segundo o presidente do Conselho Federal de Psicologia, Pedro Paulo Bicalho, o medo produzido pelo discurso de \u00f3dio \u00e9 um assunto frequente nos consult\u00f3rios, especialmente entre aqueles que s\u00e3o alvos da discrimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cIsso tem produzido um adoecimento que \u00e9 articulado a uma constru\u00e7\u00e3o de medo. O que eu quero dizer \u00e9 que as pessoas passam a sentir medo de existir. A popula\u00e7\u00e3o negra, a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+ e as mulheres t\u00eam relatado medo em rela\u00e7\u00e3o a sua pr\u00f3pria exist\u00eancia. E, quando identificamos de onde vem esse medo, ele \u00e9 produto da circula\u00e7\u00e3o de <em>fake news.<\/em>\u201d<\/p>\n<p>O problema cresce porque, muitas vezes, o contato com esses conte\u00fados se d\u00e1 no ambiente familiar, seja fisicamente ou em grupos de fam\u00edlia nas plataformas digitais. Com isso, ocorre um desmantelamento das rela\u00e7\u00f5es familiares, afirma Bicalho, dizendo que o medo gerado pela desinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 fonte de uma produ\u00e7\u00e3o em massa de processos ansiog\u00eanicos, que s\u00e3o causadores de quadros de ansiedade.<\/p>\n<p>J\u00e1 entre os consumidores de not\u00edcias falsas, o fluxo permanente de desinforma\u00e7\u00e3o faz com que entrem em um quadro de descolamento da realidade, que, apesar de n\u00e3o ser uma psicose, se assemelha a elas, avalia o presidente do CFP.<\/p>\n<p>\u201cQuando falamos de psicoses, elas nada mais s\u00e3o do que adoecimentos ps\u00edquicos que se constroem a partir de um descolamento da realidade, realidade essa que \u00e9 produzida pelo pr\u00f3prio sujeito da psicose. H\u00e1 uma aproxima\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a isso. Quando algu\u00e9m consome<em> fake news <\/em>e come\u00e7a a aderir a uma realidade paralela, come\u00e7a a viver um estado psic\u00f3tico, mesmo n\u00e3o sendo uma psicose propriamente dita. Ele come\u00e7a a produzir dissocia\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao real, e isso vai produzir efeitos muito diretos na sua vida. Na sua vida laboral, na sua vida em fam\u00edlia e na sua vida como estudante, por exemplo\u201d.<\/p>\n<p>Para o psic\u00f3logo, o resgate de pessoas imersas em <em>fake news<\/em> depende de uma constru\u00e7\u00e3o coletiva. \u201cA gente n\u00e3o \u00e9 capaz de acessar individualmente essas pessoas, precisa construir campanhas, falar mais sobre isso. \u00c9 preciso dizer para as pessoas o que isso est\u00e1 produzindo na sociedade como um todo\u201d, alerta ele, lembrando que, desde a pandemia, a busca por psic\u00f3logos cresceu 300% e ainda n\u00e3o baixou. Al\u00e9m das consequ\u00eancias da emerg\u00eancia sanit\u00e1ria, ele v\u00ea a circula\u00e7\u00e3o de <em>fake news<\/em>, o discurso de \u00f3dio e a radicaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica como causas dessa demanda. \u201cO Brasil viveu uma pandemia no meio de um pandem\u00f4nio pol\u00edtico. Isso produz um adoecimento de uma ordem inimagin\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<h2>O que dizem as plataformas<\/h2>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=162798:cheio_8colunas --><\/p>\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block zoom-on-hover-sm shadow-hover w-100\"><noscript>&lt;img src=&#8221;https:\/\/imagens.ebc.com.br\/STqwvoo4OFELGfnOzJdzIi08vJo=\/754&#215;0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/aplicativos_0428202597.jpg?itok=SAaQaSaG&#8221; alt=&#8221;Internet Aplicativos de mensagem&#8221; title=&#8221;Marcello Casal JrAg\u00eancia Brasil&#8221; class=&#8221;flex-fill img-cover&#8221;&gt;<\/noscript><\/div>\n<p><!-- END scald=162798 --><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\"><!--copyright=162798-->A\u00a0 Meta,\u00a0 empresa\u00a0 respons\u00e1vel\u00a0 pelo\u00a0 Facebook,\u00a0 WhatsApp\u00a0 e\u00a0 Instagram,\u00a0 diz\u00a0 que\u00a0 remove\u00a0 das\u00a0 plataformas\u00a0 mensagens\u00a0 com\u00a0 conte\u00fado\u00a0 prejudicial\u00a0 \u00e0\u00a0 sa\u00fade\u00a0 &#8211;<strong>\u00a0 Marcello\u00a0 Casal Jr\/Arquivo\/Ag\u00eancia\u00a0 Brasil<\/strong><!--END copyright=162798--><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong> procurou a Meta, empresa respons\u00e1vel pelo Facebook, WhatsApp e Instagram, para ouvir o que \u00e9 feito no combate \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o e na disponibiliza\u00e7\u00e3o de dados a pesquisadores independentes. Sobre o Facebook e o Instagram, a empresa informa que remove a desinforma\u00e7\u00e3o prejudicial sobre sa\u00fade e quando h\u00e1 possibilidade de tal conte\u00fado contribuir diretamente para o risco de les\u00e3o corporal iminente e para interfer\u00eancia no funcionamento de processos pol\u00edticos, al\u00e9m de &#8220;certas m\u00eddias manipuladas altamente enganosas&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Para determinar o que constitui desinforma\u00e7\u00e3o nessas categorias, firmamos parcerias com especialistas independentes que t\u00eam conhecimento e experi\u00eancia para avaliar a veracidade de um conte\u00fado e se \u00e9 prov\u00e1vel que ele contribua diretamente para o risco de dano iminente&#8221;, diz um texto produzido pelo centro de transpar\u00eancia da empresa. &#8220;Nos concentramos em reduzir a dissemina\u00e7\u00e3o de boatos e a desinforma\u00e7\u00e3o viral, al\u00e9m de direcionar usu\u00e1rios para informa\u00e7\u00f5es oficiais&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>Sobre o WhatsApp, a Meta informa que estabeleceu parcerias com ag\u00eancias de checagem independentes, que o aplicativo tem sido uma das poucas plataformas de mensagens a se aprimorar para conter a viralidade de publica\u00e7\u00f5es e que v\u00ea tend\u00eancia de queda com as medidas adotadas. Segundo a Meta, quando o aplicativo introduziu limites adicionais para o envio de mensagens em abril de 2020, viu imediatamente uma redu\u00e7\u00e3o de 70% na viralidade das mensagens. Em maio de 2022, um novo limite de encaminhamento de mensagens para grupos trouxe uma redu\u00e7\u00e3o de cerca de 20% no n\u00famero de mensagens encaminhadas com frequ\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8220;Vale lembrar que as conversas trocadas em grupos espec\u00edficos, com desinforma\u00e7\u00e3o, de modo algum representam as conversas dos usu\u00e1rios brasileiros, ou a forma pela qual o WhatsApp \u00e9 majoritariamente utilizado no pa\u00eds&#8221;, diz a Meta, que encoraja os usu\u00e1rios a denunciarem condutas inapropriadas na plataforma.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Tik Tok diz que considera o trabalho dos pesquisadores importante para aprimorar os mecanismos de combate \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o. Sobre a pesquisa que aponta veicula\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos com desinforma\u00e7\u00e3o sobre vacinas, a rede afirma que suas diretrizes n\u00e3o permitem informa\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas enganosas que possam causar danos \u00e0 sa\u00fade f\u00edsica. A rede afirma que atua para remov\u00ea-las da plataforma quando as identifica e que a maior parte das remo\u00e7\u00f5es de conte\u00fado ocorre de forma proativa, isto \u00e9, antes que sejam denunciadas pelos usu\u00e1rios.<\/p>\n<p>&#8220;Realizamos parcerias com especialistas para destacar o conte\u00fado confi\u00e1vel sobre temas relacionados \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica e tamb\u00e9m com ag\u00eancias independentes de checagem de fatos que nos ajudam a avaliar a veracidade do conte\u00fado.&#8221;<\/p>\n<p>A Ag\u00eancia Brasil n\u00e3o conseguiu contato com o Telegram. J\u00e1 o Twitter n\u00e3o tem representa\u00e7\u00e3o de imprensa no Brasil desde as mudan\u00e7as promovidas na empresa pelo propriet\u00e1rio da plataforma, Elon Musk. Ao entrar em contato com o e-mail global de imprensa da plataforma, a reportagem recebeu apenas a resposta autom\u00e1tica com o emoji de fezes que tem sido enviada a todos os ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 No dia 27 de fevereiro, uma ampla mobiliza\u00e7\u00e3o nacional foi lan\u00e7ada para recuperar as coberturas vacinais, que est\u00e3o em<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":""},"categories":[5],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"colormag-highlighted-post":false,"colormag-featured-post-medium":false,"colormag-featured-post-small":false,"colormag-featured-image":false},"uagb_author_info":{"display_name":"Redator","author_link":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/author\/admin\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"\u00a0 No dia 27 de fevereiro, uma ampla mobiliza\u00e7\u00e3o nacional foi lan\u00e7ada para recuperar as coberturas vacinais, que est\u00e3o em","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1168"}],"collection":[{"href":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1168"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1168\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1184,"href":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1168\/revisions\/1184"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1168"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1168"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1168"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}