{"id":35840,"date":"2026-01-27T18:04:59","date_gmt":"2026-01-27T21:04:59","guid":{"rendered":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/2026\/01\/nipah-saiba-mais-sobre-o-virus-que-preocupa-a-asia\/"},"modified":"2026-01-27T18:04:59","modified_gmt":"2026-01-27T21:04:59","slug":"nipah-saiba-mais-sobre-o-virus-que-preocupa-a-asia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/2026\/01\/nipah-saiba-mais-sobre-o-virus-que-preocupa-a-asia\/","title":{"rendered":"Nipah: saiba mais sobre o v\u00edrus que preocupa a \u00c1sia"},"content":{"rendered":"<div>\n<p style=\"text-align:center;\"><a class=\"\" href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/saude\/noticia\/2026-01\/nipah-saiba-mais-sobre-o-virus-que-preocupa-asia\"><br \/>\n                    <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.jsdelivr.net\/gh\/sergiosdlima\/assets-ebc@1.0.0\/abr\/assets\/images\/logo-agenciabrasil.svg\" alt=\"Logo Ag\u00eancia Brasil\" style=\"height: 54px;\"><\/a><\/p>\n<p>Autoridades sanit\u00e1rias indianas enfrentam um novo surto do v\u00edrus Nipah. <strong>Na prov\u00edncia de Bengala Ocidental, pelo menos cinco <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/saude\/noticia\/2026-01\/autoridades-da-india-monitoram-reaparecimento-do-virus-nipah\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">casos foram confirmados<\/a> entre profissionais de sa\u00fade de um hospital e cerca de 100 pessoas foram colocadas em quarentena na mesma unidade de sa\u00fade.<\/strong> Pa\u00edses vizinhos, incluindo Tail\u00e2ndia, Nepal e Taiwan, ampliaram as medidas sanit\u00e1rias de precau\u00e7\u00e3o em aeroportos em raz\u00e3o do risco de dissemina\u00e7\u00e3o.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1676202&amp;o=rss\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1676202&amp;o=rss\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"><\/p>\n<p><strong>De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), o Nipah \u00e9 um v\u00edrus zoon\u00f3tico (transmitido de animais para humanos), mas que tamb\u00e9m pode ser transmitido por meio de alimentos contaminados ou diretamente entre pessoas<\/strong>. Em pacientes infectados, o v\u00edrus causa uma variedade de sintomas, desde infec\u00e7\u00f5es assintom\u00e1ticas at\u00e9 doen\u00e7as respirat\u00f3rias agudas e encefalite fatal.\u00a0<\/p>\n<\/p>\n<h3>Not\u00edcias relacionadas:<\/h3>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/saude\/noticia\/2026-01\/autoridades-da-india-monitoram-reaparecimento-do-virus-nipah\">Autoridades da \u00cdndia monitoram reaparecimento do v\u00edrus Nipah .<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/saude\/noticia\/2026-01\/doencas-afastaram-41-milhoes-de-trabalhadores-de-suas-funcoes-em-2025\">Doen\u00e7as afastaram 4,1 milh\u00f5es de trabalhadores de suas fun\u00e7\u00f5es em 2025.<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/saude\/noticia\/2026-01\/anvisa-suspende-venda-de-sal-grosso-e-po-para-decoracao\">Anvisa suspende venda de sal grosso e p\u00f3 para decora\u00e7\u00e3o.<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cEmbora o v\u00edrus Nipah tenha causado apenas alguns surtos conhecidos na \u00c1sia, ele infecta uma ampla gama de animais e causa doen\u00e7as graves e morte em humanos, tornando-se uma preocupa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica\u201d, destacou a OMS.\u00a0<\/p>\n<p><strong>O consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia Benedito Fonseca explica que a\u00a0incid\u00eancia do v\u00edrus na \u00cdndia por fatores ambientais e culturais e as formas de transmiss\u00e3o limitam o alcance, se comparadoa micro-organismos que causaram pandemias como a da covid-19.<\/strong><\/p>\n<p>Para o professor de infectologia da Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), \u00e9 pequeno o potencial do v\u00edrus se espalhar pelo planeta e causar uma nova pandemia.<\/p>\n<h2>Origem<\/h2>\n<p>Identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto entre criadores de su\u00ednos na Mal\u00e1sia, o Nipah foi registrado posteriormente em Bangladesh em 2001 e, desde ent\u00e3o, surtos quase anuais t\u00eam sido notificados no pa\u00eds. A doen\u00e7a, segundo a OMS, tamb\u00e9m vem sendo periodicamente identificada no leste da \u00cdndia, onde fica Bengala Ocidental, epicentro do surto atual.<\/p>\n<p>\u201cOutras regi\u00f5es podem estar em risco de infec\u00e7\u00e3o, visto que evid\u00eancias do v\u00edrus foram encontradas no reservat\u00f3rio natural conhecido (morcego do g\u00eanero Pteropus) e em diversas outras esp\u00e9cies de morcegos em v\u00e1rios pa\u00edses, incluindo Camboja, Gana, Indon\u00e9sia, Madagascar, Filipinas e Tail\u00e2ndia.<\/p>\n<h2>Transmiss\u00e3o<\/h2>\n<p>Durante o primeiro surto reconhecido do Nipah, na Mal\u00e1sia, e que tamb\u00e9m afetou Singapura, a maioria das infec\u00e7\u00f5es humanas resultou do contato direto com porcos doentes. Acredita-se que a transmiss\u00e3o tenha ocorrido por meio da exposi\u00e7\u00e3o desprotegida \u00e0s secre\u00e7\u00f5es dos porcos ou pelo contato desprotegido com a carca\u00e7a de um animal doente.<\/p>\n<p>Em surtos subsequentes, em Bangladesh e na \u00cdndia, o consumo de frutas e produtos derivados, como suco, contaminados com urina ou saliva de morcegos frug\u00edvoros infectados pelo v\u00edrus foi a fonte de infec\u00e7\u00e3o mais prov\u00e1vel. A transmiss\u00e3o do v\u00edrus de pessoa para pessoa tamb\u00e9m foi relatada entre familiares e cuidadores de pacientes infectados, por meio do contato pr\u00f3ximo com secre\u00e7\u00f5es e excre\u00e7\u00f5es humanas.\u00a0<\/p>\n<p>Em Siliguri, na \u00cdndia, em 2001, a transmiss\u00e3o do Nipah tamb\u00e9m foi relatada em uma unidade de sa\u00fade, onde 75% dos casos ocorreram entre funcion\u00e1rios ou visitantes do hospital. Entre 2001 e 2008, cerca de metade dos casos relatados em Bangladesh foram causados por transmiss\u00e3o de pessoa para pessoa, atrav\u00e9s do atendimento a pacientes infectados.<\/p>\n<h2>Sinais e sintomas<\/h2>\n<p><strong>Segundo a OMS, pacientes infectados desenvolvem inicialmente sintomas como:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><strong>febre\u00a0<\/strong><\/li>\n<li><strong>dor\u00a0de cabe\u00e7a\u00a0<\/strong><\/li>\n<li><strong>mialgia (dor muscular)<\/strong><\/li>\n<li><strong>v\u00f4mitos\u00a0<\/strong><\/li>\n<li><strong>dor de garganta<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p><b>Os sintomas que podem vir\u00a0a seguir s\u00e3o:<\/b><\/p>\n<ul>\n<li><strong>tonturas<\/strong><\/li>\n<li><strong>sonol\u00eancia\u00a0<\/strong><\/li>\n<li><strong>altera\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de consci\u00eancia\u00a0<\/strong><\/li>\n<li><strong>sinais neurol\u00f3gicos que indicam encefalite aguda.\u00a0<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Algumas pacientes\u00a0tamb\u00e9m podem apresentar pneumonia at\u00edpica e problemas respirat\u00f3rios graves, incluindo s\u00edndrome do desconforto respirat\u00f3rio agudo. Encefalite e convuls\u00f5es ocorrem em casos graves, progredindo para coma entre 24 horas a 48 horas.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O per\u00edodo de incuba\u00e7\u00e3o do Nipah (intervalo entre a infec\u00e7\u00e3o e o in\u00edcio dos sintomas) varia de quatro a 14 dias, mas j\u00e1 foram relatados per\u00edodos de incuba\u00e7\u00e3o de at\u00e9 45 dias.<\/strong><\/p>\n<p>Ainda de acordo com a OMS, a maioria das pessoas que sobrevivem \u00e0 encefalite aguda causada pelo v\u00edrus se recupera completamente, mas sequelas neurol\u00f3gicas de longo prazo foram relatadas em cerca de 20% dos sobreviventes, incluindo dist\u00farbios convulsivos e altera\u00e7\u00f5es de personalidade.\u00a0<\/p>\n<p>Um pequeno n\u00famero de pessoas que se recuperam posteriormente apresenta reca\u00edda ou desenvolve encefalite de in\u00edcio tardio.<\/p>\n<p><strong>A taxa de letalidade do Nipah \u00e9 estimada entre 40% e 75% e pode variar de acordo com o surto, dependendo da capacidade local de vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica e de manejo cl\u00ednico de pacientes.<\/strong><\/p>\n<h2>Diagn\u00f3stico<\/h2>\n<p>Como os sintomas iniciais da infec\u00e7\u00e3o s\u00e3o inespec\u00edficos, o diagn\u00f3stico, muitas vezes, demora, o que comumente gera desafios na detec\u00e7\u00e3o de surtos, na implementa\u00e7\u00e3o de medidas eficazes e oportunas de controle da infec\u00e7\u00e3o e nas atividades de resposta a surtos do Nipah.<\/p>\n<p>A infec\u00e7\u00e3o pode ser diagnosticada com base no hist\u00f3rico cl\u00ednico durante as fases aguda e de convalescen\u00e7a da doen\u00e7a. Os principais testes utilizados s\u00e3o o RT-PCR em fluidos corporais e a detec\u00e7\u00e3o de anticorpos por meio do ensaio imunoenzim\u00e1tico. Outros testes utilizados incluem o ensaio de PCR e o isolamento viral por cultura celular.<\/p>\n<h2>Tratamento<\/h2>\n<p><strong>Atualmente, n\u00e3o existem medicamentos ou vacinas espec\u00edficos para a infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus, embora a OMS tenha identificado o Nipah como parte de sua lista de pat\u00f3genos com <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/saude\/noticia\/2024-08\/conheca-lista-de-doencas-com-potencial-epidemico-divulgada-pela-oms\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">potencial de desencadear uma epidemia<\/a>.<\/strong> <strong>A recomenda\u00e7\u00e3o da entidade \u00e9 que os pacientes sejam submetidos a tratamento intensivo de suporte para complica\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias e neurol\u00f3gicas graves.<\/strong><\/p>\n<h2>Hospedeiros<\/h2>\n<p><strong>Morcegos frug\u00edvoros da fam\u00edlia Pteropodidae, sobretudo esp\u00e9cies que pertencem ao g\u00eanero Pteropus, s\u00e3o classificados pela OMS como hospedeiros naturais do Nipah. N\u00e3o h\u00e1 sinais aparentes da doen\u00e7a nesses animais.<\/strong><\/p>\n<p>Os primeiros surtos do v\u00edrus em su\u00ednos e em outros animais dom\u00e9sticos, como cavalos, cabras, ovelhas, gatos e c\u00e3es, foram relatados durante o surto inicial na Mal\u00e1sia, em 1999. O v\u00edrus, segundo a OMS, \u00e9 altamente contagioso em su\u00ednos.<\/p>\n<p>\u201cUm su\u00edno infectado pode n\u00e3o apresentar sintomas, mas alguns desenvolvem doen\u00e7a febril aguda, dificuldade respirat\u00f3ria e sintomas neurol\u00f3gicos, como tremores, espasmos e contra\u00e7\u00f5es musculares. Geralmente, a mortalidade \u00e9 baixa, exceto em leit\u00f5es jovens\u201d, diz a OMS.<\/p>\n<p>Os sintomas, de acordo com a entidade, n\u00e3o s\u00e3o muito diferentes de outras doen\u00e7as respirat\u00f3rias e neurol\u00f3gicas que tamb\u00e9m afetam su\u00ednos. A orienta\u00e7\u00e3o \u00e9\u00a0suspeitar de infec\u00e7\u00e3o pelo Nipah caso os su\u00ednos tamb\u00e9m apresentem tosse incomum ou se houver casos de encefalite em humanos registrados na regi\u00e3o.<\/p>\n<h2>Preven\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Na aus\u00eancia de uma vacina, a OMS avalia que a \u00fanica maneira de reduzir ou prevenir a infec\u00e7\u00e3o pelo Nipah em pessoas \u00e9 aumentar a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre os fatores de risco, al\u00e9m de educar a sociedade\u00a0sobre medidas a serem tomadas para reduzir a exposi\u00e7\u00e3o ao v\u00edrus.<\/p>\n<p>Segundo a entidade, as mensagens educativas de sa\u00fade p\u00fablica devem focar em:<\/p>\n<ul>\n<li>reduzir o risco de transmiss\u00e3o de morcegos para humanos;<\/li>\n<li>esfor\u00e7os para prevenir a transmiss\u00e3o, que devem se concentrar, em primeiro lugar, em diminuir o acesso de morcegos \u00e0 seiva de produtos alimentares frescos. \u201cManter os morcegos afastados dos locais de recolha da seiva com coberturas protetoras (como saias de bambu) pode ser \u00fatil\u201d. Os sucos rec\u00e9m-colhidos devem ser fervidos e as frutas devem ser bem lavadas e descascadas antes do consumo. Frutas com sinais de mordidas de morcego devem ser descartadas;<\/li>\n<li>reduzir o risco de transmiss\u00e3o de animais para humanos;<\/li>\n<li>utilizar luvas e outras roupas de prote\u00e7\u00e3o ao manusear animais doentes ou seus tecidos, e durante procedimentos de abate e elimina\u00e7\u00e3o. Na medida do poss\u00edvel, as pessoas devem evitar contato com porcos infetados. Em \u00e1reas consideradas end\u00eamicas, deve-se considerar a presen\u00e7a de morcegos frug\u00edvoros na \u00e1rea e, em geral, a ra\u00e7\u00e3o e os est\u00e1bulos dos su\u00ednos devem ser protegidos contra morcegos sempre que poss\u00edvel;<\/li>\n<li>reduzir o risco de transmiss\u00e3o de humano para humano;<\/li>\n<li>evitar o contato f\u00edsico pr\u00f3ximo e desprotegido com pessoas infectadas pelo v\u00edrus. \u201cA lavagem frequente das m\u00e3os deve ser realizada ap\u00f3s cuidar ou visitar pessoas doentes\u201d, concluiu a OMS.<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autoridades sanit\u00e1rias indianas enfrentam um novo surto do v\u00edrus Nipah. 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