{"id":4271,"date":"2023-11-03T10:57:24","date_gmt":"2023-11-03T13:57:24","guid":{"rendered":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/2023\/11\/leishmaniose-visceral-estudo-de-sp-desenvolve-teste-para-nova-especie-de-parasita\/"},"modified":"2023-11-03T10:57:24","modified_gmt":"2023-11-03T13:57:24","slug":"leishmaniose-visceral-estudo-de-sp-desenvolve-teste-para-nova-especie-de-parasita","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/2023\/11\/leishmaniose-visceral-estudo-de-sp-desenvolve-teste-para-nova-especie-de-parasita\/","title":{"rendered":"Leishmaniose visceral: estudo de SP desenvolve teste para nova esp\u00e9cie de parasita"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Nos \u00faltimos anos, m\u00e9dicos e cientistas de regi\u00f5es do Brasil onde a leishmaniose visceral (LV) \u00e9 end\u00eamica t\u00eam se deparado com cada vez mais casos de coinfec\u00e7\u00e3o por diferentes protozo\u00e1rios:\u00a0Leishmania infantum\u00a0e\u00a0Crithidia. O diagn\u00f3stico preciso, no entanto, \u00e9 dificultado pela aus\u00eancia de testes simples e espec\u00edficos.<\/p>\n<p>Com o objetivo de acelerar e facilitar essa distin\u00e7\u00e3o e, consequentemente, a defini\u00e7\u00e3o do tratamento, pesquisadores da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (<a href=\"https:\/\/www.ufscar.br\/a-ufscar\/apresentacao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">UFSCar<\/a>) desenvolveram um teste do tipo PCR \u2014 que analisa o material gen\u00e9tico contido na amostra \u2014 e que leva menos de duas horas para ser conclu\u00eddo. Os resultados do estudo foram publicados no peri\u00f3dico Tropical Medicine and Infectious Disease.<\/p>\n<p>O novo m\u00e9todo representa um avan\u00e7o no diagn\u00f3stico da LV \u2013 forma mais severa de leishmaniose que afeta \u00f3rg\u00e3os como ba\u00e7o, medula \u00f3ssea, f\u00edgado e g\u00e2nglios linf\u00e1ticos. Negligenciada, a doen\u00e7a \u00e9 considerada um problema de sa\u00fade p\u00fablica, com mais de 3,5 mil casos todos os anos no pa\u00eds, de acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Esse n\u00famero representa 93% de todos os casos da Am\u00e9rica Latina. Somente em 2020, foram 165 mortes em territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>O estudo financiado pela <a href=\"https:\/\/fapesp.br\/sobre\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fapesp<\/a>\u00a0por meio de nove projetos\u00a0mostrou que o m\u00e9todo foi altamente preciso na identifica\u00e7\u00e3o e quantifica\u00e7\u00e3o de\u00a0L. infantum\u00a0e\u00a0Crithidia em amostras obtidas em c\u00e9lulas e organismos vivos ou coletadas de hospedeiros (humanos, c\u00e3es, gatos e vetores), por exemplo, por meio de bi\u00f3psias de pele ou aspirados de medula \u00f3ssea.<\/p>\n<p>\u201cApesar de j\u00e1 existirem outros m\u00e9todos moleculares de identifica\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies, eles costumam envolver o sequenciamento do DNA da amostra, processo mais trabalhoso, lento e custoso\u201d, explica Sandra Regina Costa Maruyama, professora do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Gen\u00e9tica Evolutiva e Biologia Molecular (PPGGEv) da UFSCar e coordenadora do estudo. \u201cNosso teste avalia o material gen\u00e9tico dos parasitas diretamente dos vetores e nos tecidos de pessoas e animais, gatos e cachorros.\u201d<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio dos testes r\u00e1pidos utilizados no sistema de sa\u00fade, que n\u00e3o detectam diretamente o parasita e sim os anticorpos produzidos contra ele, o novo ensaio quantitativo de PCR baseado em corante (qPCR) foi projetado e padronizado com sequ\u00eancias-alvo espec\u00edficas para as esp\u00e9cies\u00a0Leishmania infantum\u00a0e\u00a0Crithidia\u00a0em amostras experimentais e cl\u00ednicas. Os novos alvos se mostraram espec\u00edficos, entretanto \u00e9 necess\u00e1rio realizar inicialmente um ensaio para detectar o primeiro parasita e, na sequ\u00eancia, um segundo para identificar\u00a0Crithidia.<\/p>\n<p>\u201cSelecionamos esses novos alvos por meio de an\u00e1lises dos genomas das duas esp\u00e9cies. Agora que mostramos que apresentam especificidade em diferentes tipos de amostras, \u00e9 necess\u00e1rio otimizar o ensaio para que em uma \u00fanica rea\u00e7\u00e3o de qPCR saibamos se a esp\u00e9cie infectante em quest\u00e3o \u00e9\u00a0Leishmania infantum,\u00a0Crithidia\u00a0ou ambas\u201d, diz Maruyama.<\/p>\n<p>Atualmente, o grupo de pesquisa tem testado as amostras para detec\u00e7\u00e3o de L. infantum e, num segundo teste, faz a detec\u00e7\u00e3o de Crithidia. Segundo a pesquisadora, qualquer laborat\u00f3rio de diagn\u00f3stico capacitado com equipamento de qPCR \u2014 que se tornou mais acess\u00edvel durante a pandemia de COVID-19 \u2014 poderia realizar esse teste. A t\u00e9cnica pode ser \u00fatil para estudos epidemiol\u00f3gicos, monitoramento de carga parasit\u00e1ria e acompanhamento terap\u00eautico.<\/p>\n<p><strong>Casos de coinfec\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Durante o trabalho, foram realizados testes com 62 parasitas isolados dos tecidos de pacientes com leishmaniose visceral. Desses, 51 testaram positivo para\u00a0Crithidia. Al\u00e9m disso, a coinfec\u00e7\u00e3o de\u00a0Leishmania infantum\u00a0e\u00a0Crithidia\u00a0em medula \u00f3ssea foi identificada em dois novos casos de LV no Brasil. Em maio deste ano, o grupo publicou um relato de caso grave de LV no qual as duas esp\u00e9cies de parasitas foram detectadas.<\/p>\n<p>De acordo com Maruyama, al\u00e9m da efic\u00e1cia do teste, os resultados indicam que a infec\u00e7\u00e3o por\u00a0Crithidia\u00a0\u00e9 mais frequente do que se imaginava e a coinfec\u00e7\u00e3o pelos dois protozo\u00e1rios parece acontecer principalmente nos casos mais graves.<\/p>\n<p>\u201cAinda n\u00e3o sabemos quais as implica\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas da presen\u00e7a de\u00a0Crithidia\u00a0nos casos de LV, mas suspeitamos que a coinfec\u00e7\u00e3o possa exacerbar a doen\u00e7a ou at\u00e9 mesmo atrapalhar a resposta ao tratamento recomendado para\u00a0Leishmania infantum\u201d, diz a pesquisadora. \u201cIdentificar a esp\u00e9cie de parasita corretamente permite que sejam tomadas provid\u00eancias rapidamente para evitar a piora e a progress\u00e3o do quadro cl\u00ednico, reduzindo a mortalidade. Al\u00e9m disso, abre espa\u00e7o para que, no futuro, se descubram medicamentos e tratamentos mais espec\u00edficos.\u201d<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.gov.br\/ultimas-noticias\/leishmaniose-visceral-estudo-de-sp-desenvolve-teste-para-nova-especie-de-parasita\/\">Leishmaniose visceral: estudo de SP desenvolve teste para nova esp\u00e9cie de parasita<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.gov.br\/\">Governo do Estado de S\u00e3o Paulo<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos anos, m\u00e9dicos e cientistas de regi\u00f5es do Brasil onde a leishmaniose visceral (LV) \u00e9 end\u00eamica t\u00eam se deparado<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":""},"categories":[6],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"colormag-highlighted-post":false,"colormag-featured-post-medium":false,"colormag-featured-post-small":false,"colormag-featured-image":false},"uagb_author_info":{"display_name":"Redator","author_link":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/author\/admin\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Nos \u00faltimos anos, m\u00e9dicos e cientistas de regi\u00f5es do Brasil onde a leishmaniose visceral (LV) \u00e9 end\u00eamica t\u00eam se deparado","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4271"}],"collection":[{"href":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4271"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4271\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4271"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4271"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/dotwork.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4271"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}